terça-feira, 27 de outubro de 2009

Em terras de Deus quem é vivo nunca morre


Deus Pinheiro é uma daquelas figuras inauditas, que por cá andam, chafurdam. Ave rara diria alguém nada politicamente correcto, o que eu não sou.

A sua imbecilidade, demonstrada a semana passada, torna bem latente o estado da nossa política e é o móbil perfeito para este texto. Quando tomou posso disse o que se pode aproximar a um "é bom estar na casa da democracia". Isso levou o mais relutante e incrédulo cidadão a supor que iria Deus Pinheiro ter pela primeira vez mais presenças que faltas num órgão de soberania.

Enganou-se. Pois é, q' isto de ser Deus não tem horários para trabalhar. Só quando há milagres. Então diz um lacónico e inexplicável "renuncio". Mas porque abjurou? Motivos médicos? Pessoais? Pessoais que depois se tornaram médicos. Num frente a frente entre José Seguro e P.Teixeira Pinto o deputado do ps lá decidiu dizer que um cabeça de lista do psd por braga só lá esteve 30 min. Como é política, a réplica fez-se num "são lamentáveis as suas palavras. Por razões médicas é que ele abjurou. Lamentável. Bem, continue". E assim o deputado lá teve de encontrar um pedido de desculpas, algo a meio do seu compungido ar. Que não devia ter, pois tem razão. Tudo isto me fez lembrar o tempo em que eu ia de 15 em 15 dias a Vigo, ao supermercado. No caminho entre viana e tuy apareciam as 3 casas de alterne - uma mudava de nome todos os meses-. Á guisa de entretenimento dizia com o meu pai: um focus matrícula ac-40-20, um corsa bd-70-40 e assim por diante. No retorno, uns 40 min depois, aprox.-que homens só conhecem arroz,não as marcas-, lá comentávamos: o corsa ainda lá está, mas o focus já saiu.

veja-se. Não será ainda mais indecoroso que um sujeito qualquer que, antecipada e ponderadamente sabe que não quer ser deputado, que lá não irá estar, se preste a este papelão? Só a mim faz isto espécie? Julgo que não.

Fala-se de tudo e mais alguma coisa neste país. Até os penaltis inventados do benfica merecem rols de páginas. Agora, sabe-se isto e como são os media? parcimoniosos como sempre, quando deviam precisamente noticiar os "podres"

Olha lá, pá, este Deus Pinheiro não é aquele eurodeputado mais faltoso de todos? Não, meu, se bem me lembro ele trabalhava muito em comissões e assim. Muito trabalho por fora. E tudo sem horas extras. A desculpa do trabalho em comissões, para os deputados, está como o "fui ver o jogo com o Tozé" está como desculpa de marido, quando esteve nas putas. São tipos sem avaliação que tentam depois impor avaliações-outras conversas, já.

Foi um primeiro capítulo, que mais virão em 4 anos. Verdadeiramente consternados devemos ficar todos nós, quando indivíduos como este (não é o único de certeza- Ainda não sei se o Santana assume ou não; se a E. Ferreira assume ou não...) sujam as instituições democráticas, envolvendo-as num opróbrio nada dignificante. Infelizmente, a meu ver, isto so poderá deixar de ser assim num dia- fora de alcance- em que os círculos plurinominais dêem lugar aos uninominais. Aí, a política faz-se noutros moldes. Mais sérios, mais responsáveis e com maior cobrança. Sem ultrajes.

A sra que vos falei do tal frente a frente devia, outrossim, estar muito mais empenhada, não em abafar ou perdoar isto, mas em preocupar-se com indemnizações ostensivas. Se bem me lembro, desde que o tal homem do BCP saiu de lá, não faz outra coisa que não seja cagar quadros, poesias e bandeiras monárquicas, enquanto os meus 500 euros de acções, adquiridas antes dele ter destroçado o banco como fez, ainda não têm retorno. Esses 500 euros e os da renovávies. Mas aí a culpa é do Estado.

Desculpar-me-ao o estilo de constante peroração,produto óbvio da revolta que estes casos casos nos devem causar. São situações que cheiram a imundície, e só permitidas pelo nosso beneplácito. Não pode assim ser.

Círculos uninominais?

Abraço.

domingo, 25 de outubro de 2009

Saramago


O homem falou, levantou-se um escarcéu tão grande, tão grande que as vacas sagradas saíram todas. Voz no trombone, como pessoas insignificantes que são, mais não se podiam servir que do vitupério. Padres, professores, todos ofendidinhos. Como disse, há vacas sagradas nesta terra não tão santa.

Ao almoço, apetitoso e opíparo nos Arcos de Valdevez, num daqueles silêncios que surgem quando não há mais tema de conversa, decidi-me e puxei o tema Saramago para o espaço já vazio da travessa do cabrito. Só uma senhora, muito velhinha, de ar um pouco senil e tez enrugada decidiu comer. respondeu: "Ó menino, este cabritinho está tão bom que falar-me disso é até crime. Mas se quer saber, olhe, sou religiosa, católica, praticante, e como calcula não gosto das críticas. Mas não vejo grande mal. Veja, isso não é mais que liberdade de expressão, de opinião, liberdade de autor. E isso é bom, não? Se como católica gosto de ouvir? Não, mas é algo que tolero pelo que lhe disse. E ,agora, coma menino, que está muito magrinho. Coma coma. Quanto pesa? 68 quilos. Ui!. Coma coma."

Estas parcas palavras resumem bem o que eu penso desta situação toda. Só acrescento o escândalo que, pelo menos a mim, me causam afirmações como as de um eurodeputado qualquer e do Pulido Valente. são afirmações ignominiosas, que gratuitamente vilipendiam quem as recebe. E isso, seja ele Saramago ou o Tino de Rans, é intolerável. Ao que parece Saramago não é doutor (como Pessoa ou Camões não o eram)

O sr eurodeputado, tal qual a sensibilidade chega a alguns com a decrepitude, a ele veio-lhe mais cedo. Uma sensibilidade obtusa, é verdade, que o puxou do estado anónimo para uma imbecilidade pública, repelida. Valha-nos ao menos que cá não esteja, que embora não seja uma vitória de grande monta também não é uma vitória de pirro.

Mais do que estas palavras, Saramago não me merece, nem tudo isto.

Para terminar, se Saramago não é português, Lobo Antunes e Pessoa, que não escrevem como Eça sê-lo-ão?

Em Portugal há vacas sagradas, De certos temos não se pode falar, criticar então está fora de questão. Vivemos numa terra de santos, mas onde se reza de dia e se peca de noite.

Coisas do Arco da Velha, nos Arcos de Valdevez.

Abraço.

Silogismo

Se Oeiras tem os mais altos níveis de doutorados, mestrados, as mais baixas taxas de analfabetismo e abandono escolar enquanto Felgueiras sofre do drama contrário, com elevado abandono escolar e poucos licenciados,

e se os pouco inteligentes e analfabetos de Felgueiras decidiram tirar de lá a Fátima enquanto os doutores de Oeiras preferiram Isaltino,

então quem é que, afinal, precisa de estudar?

Abraço.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Crise Por Quem Sabe


Vem de um programa da TVI. Questionou-se Ulisses Morais, treinador da Naval, sobre o que pensava da deflação («Acha que Portugal vai ser afectado pelos efeitos de deflação?» ). Se, o entrevistado predecessor- Quim- considerou algo positivo, o ensinamento aloja-se nas palavras do primeiro: «Se entendermos inflação como uma erecção, a deflação será a falta dela.»
Abraço.

Não uso Título


Em época de belos discursos de demagogias, repletas e submersas em mentiras agregadoras de votos, não pode deixar de se ver com inesperado agrado que a honra, palavra, orgulho ainda podem continuar a ser os corolários da acção humana, chafurdada há muito em misérias de fraca intelectualidade.


O que tento atingir é, chamo a vossa constatação, o que tem sido o Obamapolitismo. Quer tal dizer que começa em Obama um novo acreditar na classe política- quando se vê que o líder do mundo cumpre com as suas promessas de campanha eleitoral: fecho de Guantánamo; nova abordagem ao Irão; diálogo com Cuba e países críticos da América Latina (Bolívia, Venezuela); um dar voz ao mundo ......, o que chega,concomitantemente, a atingir e pautar as últimas intervenções de outros líderes mundiais - de Cuba chegam palavras, do próprio Chavez,....numa palavra, Obama e suas consequências na ordem internacional; glosa-se: Obamapolitismo.

Em 4 meses não se ultrapassam as desconfianças, mas de bom grado se elogiam os desenlaces.


Por cá os abutres hão-de eternamente chafurdar na merda. A diferença é que, dos seus discursos e apologias para nós,portugueses, ja nada apodíctico chega. Em tres notas, Durão e Sócrates ganham eleições muito encavalitados na garantia PESSOAL da baixa de impostos e o que fazem?

Sempre cresci na crença de que o indivíduo verga quando perde tais valores: honra, palavra, princípios. Nasci e cresci, sim, em Potugal. Não fui, louvo Deus, é socializado por politismos.



Abraço.

sábado, 28 de março de 2009

" Dizia ela: - Nunca mais tirarei os olhos de ti. Vou olhar para ti ininterruptamente.
E, depois de uma pausa: - Tenho medo quando o meu olho pisca. Mede de que, durante esse segundo em que o meu olhar se apaga, se introduza no teu lugar uma serpente, uma ratazana, outro homem.
Ele tentava erguer-se um pouco para lhe tocar com os lábios.
Ela abanava a cabeça: -Não, só quero olhar para ti.
E depois:- Vou deixar o candeeiro aceso toda a noite. Todas as noites."

A Identidade, Milan Kundera.

domingo, 22 de março de 2009

Não devia sonhar isto...

Das aulas de Finanças e Fiscal lembro-me das não raras vezes em que a professora apontava a sua crítica ao conservadorismo? Talvez inoperância? Defeito de coragem? Pouca arrogância? Aquelas seis palavras "os nossos políticos são muito velhos".

O sono é relaxante e sonho transcendente e o meu desta noite remonta à Antiguidade Clássica; sendo directo, à República de Platão. Nele, Platão fala-nos de umas palavras de Sólon: "Estou Velho, mas ainda ensino muitas coisas". Até pode ser que ensine, mas consegue correr? Das palavras de Platão em concreto não me recordava, mas decidi abrir o livro nessa parte para aqui as partilhar; "quando diz que um velho pode ensinar muitas: é menos capaz de ensinar do que de correr; os grandes e múltiplos trabalhos competem aos novos".

Abraço.

sábado, 21 de março de 2009

Quem Não Come Sou Eu

Dias conturbados vive Nascimento Rodrigues. Entre nós, eu também não gostaria de estar mais 8 meses que o previsto e devido no desempenho de uma função. Vocês o desejariam?

Órgão independente, é nomeado pelo Assembleia da República. O que se passa é que o titular que "desempenha uma função privilegiada com o parlamento", que a executa por meios mais informais (ou menos formais?), quem assume um papel de supra importância na defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, quem muito pode contribuir para a aproximação da administração á população, quem muito suscita questões de inconstitucionalidade, tem sido objecto de desrespeito profundo e grosseiro pelas próprias instituições democráticas.
Vejamos o que se passa.

Não é virgem a discórdia no concernente à existência, em primeiro lugar, do Provedor, nem tampouco aquilo que seja o seu papel. Se tal influi neste impasse que a actualidade nos apresenta, nenhuma certeza se afigura com total % de verosimilhança, mas que contribuiu para sub valorização que os partidos têm, não me restam dúvidas. Foi esta uma das questões tratadas recentemente, nas aulas de fundamentais, lembram-se?

A apropriação das palavras "eles comem tudo" também tem que se lhe diga. A edição do Púbico de hoje traz um quadro dos membros "eleitos para cargos externos". Nascimento Rodrigues aparece a laranjinha, talvez a mesma cor do seu "o ps come tudo".

O que é mister discutir é o entendimento existente e que permanecerá, como é claro, que a sociedade da meritocracia exige de cada um de nós sacrifícios, lutas, conquistas, quando, das mesmas bocas que a apregoam saem as suas distorções mais bárbaras. Não aceito ouvir um Sócrates ou uma M. F. Leite dizerem que tenho de estudar e batalhar para ser alguém um dia e no outro se arrogarem no direito de poder escolher amiguinhos para altos cargos públicos. O entendimento que o Provedor de Justiça alternará entre PS e PSD (o mesmo para situações similares) é prova de um sistema corrupto de fraca qualidade, corrupto, atrofiado é à deriva, no qual o amigalhaço triunfa. O mérito é qualidade do fraco, esquecido e, quando crítico, oprimido ou, não rara qualificação, do sonhador.
Com vorazes apetites como estes, foge foge bandido.

A última palavra merece-a o prof Jorge Miranda que, sem culpa, se viu envolvido em querelas partidárias de gentalha sem valor ( a carneirada de que o Pedro tanto gosta).

A fraca atenção no tratamento das matérias são reveladoras de uma autor estafado após 5 horas de estudo de história do direito e desgostoso por a sua equipa sofrer neste preciso momento um golo. O mesmo reconhece que a matéria exige sanidade mental, pelo que a voltará a abordar adequadamente.

Abraço.

Mais ou Menos Assim

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro,
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!

Mário de Sá Carneiro

Abraço.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O que eu não gosto de ler nos jornais


A Caixa Geral de Depósitos, o banco do Estado, o banco de todos nós, não se importou nada de sustentar e salvar duas instituições submersas numa catadupa de falcatruas; ladroage, como diz a malta do meu bairro.


Vimos declarações e uma corrida às justificações: "Senão abrimos um precedente drástico; se os deixamos cair as pessoas vão todas tirar os seus depósitos; é o fim; a banca quebra" e para salvarmos as instituições financeiras lá foi o Estado acudir. Avaliou mal, o prejuízo é enorme, a decisão discutível, os críticos e os apoiantes dividem-se. Até agora o escrito é meramente fáctico.


Não discuto isto porque já o suficiente se falou (mal). Mas indigno-me e enervo-me quando leio que podem haver despedimentos na banca, quando leio que se salvou o Sr Fino, quando leio que o Sr Berardo negociou muito bem com as instituições, quando leio que as taxas de juro cobradas têm sido impeditivas para as empresas (muitas têm fechado portas por isso) e famílias. O meu dinheiro para estes Srs? "Enroladinho e vaselinado no sítio que eles sabem, obrigadíssimos, e tenho dito ámen".


O mínimo que exigimos de um governo dá a mão e limpa o rabo é que adopte atitudes idóneas (não inúteis e erradas) para as empresas -taxas de 10% são impossíveis!, para as famílias, para os desempregados. Não admito que um Berardo (um dos culpados disto -enriqueceu especulando, entre negócios paralelos) possa negociar a sua dívida e as empresas e famílias encontrem os golias de obstáculos.


A mais, garante-se um aval (bem sei que o Estado ganha dinheiro e nada é dado, mas garante-se!) e permite-se isto aos bancos?


Uma ultima palavra para a Caixa Geral de Depósitos, que podia e devia acudir nestas situações: praticando taxas melhores, mais baixas, salvaguardando e protegendo as famílias em melhores condições que as outras instituições bancárias, obrigando os outros bancos a fazer o mesmo. É este o momento ideal.


Que o Banco do Estado se comporte como tal, não se deixe ficar prostrado!


Abraço.
E se não estamos a ler o qu'Ele disse e realizou?

Os Monges que traíram Jesus, de Bart D. Ehrman.

Em poucas palavras uma perspectiva interessante sobre os monges copistas e da forma como alteraram a história que lemos hoje.

Abraço.

A Vermelho Marxista

Eu, antes de escrever a vermelho socialista (pois se achar-se o "democraticamente eleito" é isso), exponho aquilo que a minha bebâda consciência ainda é capaz de digerir.

Do referendo ao plebiscito vai a distância que aqui, estudantes de direito, me recuso a falar.
A primeira ideia que me perturba o sono é esta.

A segunda é o filho da puta ditador que caralho, até é eleito democraticamente, mas como ganhou o referendo vamos lá pedir à sininho argumentos verdes cor de nota.Tão belo falar do Obama e do prodigioso e fecundo fenómeno da melhor democracia do mundo. É só a mesma que permitiu ao melhor presidente da sua história governar mais tempo do que o idóneo aconselha. Mas então o chavez já não é ditador. Momon não te rias que já te apanho. Já por isso os americanos espertos impuseram limites. Tumba, safa te agora. O problema é que tens razão, mas do que pode ser não se retira o é ou o será.

Vejam bem, num exercício meramente abstracto poder ser eleito irrestritivamente não implica a viciação do sistema político ou eleitoral. Nós podemos presumi-lo? Podemos supo-lo, mesmo teme-lo? Pois é claro que sim. Mas dele não retiramos a certeza.Aliás, por alguma razão eu gramo o mesmo tipo na minha terra há-de fazer 16 anos, o mesmo jardim tem não sei quanto tempo e tantas mais casos. É óbvio que nao se compara a influência do autarca ao do chefe de estado, mas se de democracia perfeita falamos e queremos então suportemos o argumento.

Se foi o chavez eleito democraticamente nem há discussão que se faça, se tem (fale-se que o homem nem nas aulas se calava) legitimidade nem se discuta, se tem ambos sem suspeição o mesmo se aplica. Não discuto a legitimidade de exercício neste caso, como já o justifiquei há longos meses, porque a democracia funciona e é pelo sufrágio que é apurada. É óbvio que podemos contrapor as duas legitimidades, a de exercício e a de título, mas quando os mecanismos permitem a fiscalização, avaliação e a posterior decisão da primeira é infértil abordá-la, para além de obsoleta.

Noutro domínio podemos fazê-lo; com Hitler, por exemplo. Mas o desgraçado impôs um clima de terror e medo, morte e genocídio com perpetuação fascista, totalitária, autoritária e ditatorial no poder, que nem a análise pode ser feita. Já com os outros dois, o caso é diferente: o início, o meio e o fim são diferentes. Basta que se saiba como chegaram ao poder, como o mantêm e o dominam para se entender que o caso muda de figura e, por conseguinte, de análise.

A verdade é esta, que o chavez faz merda faz, que não fazem sentido as profecias e ideias que tem não fazem, que é arrogante é; mas não é ditador ou algo que se pareça enquanto o sufrágio, insuspeito e isento, andar com ele. Caramba, digam-me onde leram sobre suspeitas de fraudes com a acuidade e clarividência necessárias que possamos falar disso? Uma diferença para o Eduardo dos santos, por acaso. Nem o eurodeputado, no justificado rol de críticas auspiciosas inclui esta ideia (Lembrei-me que um jornalista foi também expulso do Brasil por dizer que o Lula era um bebum). De nada serve apelar e justificar quando nos convém e profetizar os males quando discordamos se do mesmo vem a base.

Em três notas concluo a minha opinião:

- não é o chavez nenhum presidente dos pobres ou do povo. No mesmo momento em que ia escrevendo ocorreram-me umas palavras de Nietzsche: "O Estado é o nome do mais frio de todos os monstros gelados. Aliás, ele mente duma maneira fria e a mentira que sai da sua boca é esta: Eu, o Estado, sou o Povo."

-é eleito de forma democrática, pelo que nem se questione a sua legitimidade, nem se o compare a outros homens, nem se fale num ditador.

-a questão das divisas, dos jornais, da tv, rádio nao permitem falar num ditador. Num projecto muito auspicioso disso, pois claro, mas não em ditador.

Não restem, portanto, dúvidas quanto à legalidade e legitimidade do homem e do processo referendário, sem deixar de se ter a mesma garantia de que a decisão é errada e não se identifica com a ideia de democracia que pretendemos e se pretende.Concentrem-se agora esforços no controlo da sua política, impedindo o caminho para a tirania, empenhando-nos num exemplar controlo internacional nas eleições próximas.

Abraço.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Descompressão



Em época de desgostos académicos e infrutíferos estudos (o meu caso de penal) achei que devia publicar aqui algo leve, suave, apolítico, filosoficamente discreto.

Vamos para a segunda semana do australian open ( Federer ainda na luta para igualar já o record de Sampras) e, num blog, encontrei uma imagem que achei deveras interessante. Desde Hewitt que os australianos não têm um grande tenista. Este também tem vivido muito além do ténis e tem visto temporais de lesões. Talvez por isso, a federação de Ténis decidiu devia apostar em Tomic, tenista de 16 anos da "casa".


Ainda muito jovem, revelou alguns pormenores interessantes. Perdeu só para Muller na segunda ronda, depois de eliminar starace, o que para 0 700 e tal do ranking é muito.

Qual o incentivo que lhe deram? A imagem responde, sem legendas necessárias.

Abraço.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

E SE...

Sabedoria, Prudência, Temperança e sentido de Justiça. As 4 virtudes que Platão idealizou e que a política contemporânea ignora.

O que seria do Estatuto dos Açores se o Presidente da República se tivesse lembrado disto? Qual seria hoje a discussão se se tivesse solicitado a apreciação do Tribunal Cnstitucional?

Em vez disso preferiu tornar ( o PR) o assunto pessoal, uma questão "POLÌTICA", um braço de ferro entre a Presidência e o Governo, com a incompetência, incongruência, super politização, passividade e desresponsabilização da Assembleia da República.

O artigo 144º, que parece ser o contemporâneo pomo da Discórdia, é, expressão comum usa-se, apenas a ponta do iceberg.Este estipula que os órgãos do governo regional sejam ouvidos pelo Presidente da República antes da dissolução da Assembleia Legislativa. Significa, portanto, "ouvir mais sujeitos do que aqueles a que está vinculado pela Constituição: o Conselho de Estado e os partidos representados na AR (135º, l). É certo que há uma norma geral de audição dos órgãos de governo regional pelos órgãos de soberania relativamente às questões da sua competência respeitantes às regiões autónomas (225º, 2). Mas, como qualquer jurista sabe, a norma geral cede perante a normal especial (234º, 1). À incongruência acresce o absurdo de o Presidente ter de ouvir a própria Assembleia que encara dissolver. Seria como um professor ter de perguntar a um aluno, num exame, se concorda com a sua reprovação..."

É deste ponto que se tem falado. Todavia, se se entregasse o diploma nas mãos do TC e não dos costureiros remendores (GOV, AR, PR), esta e outras não menos importantes inconstitucionalidades teriam tido tratamento adequado.

Enunciam-se sucintamente:- art 4º, 4- art 7º, 1, i) e j)- art 7º, 1, o)- art 63º, 2, g)- art 66º- art 119º

Ao Presidente já fica a crítica. No concernente ao Governo, não é admissível que uma lei banhada em inconstitucionalidades, ofensiva da Lei Fundamental, que se quer suporte de todo o ordenamento, possa ser sequer elaborada, quanto mais aprovada e defendida tão veementemente.O Parlamento aprova nos moldes em que aprova e só decide falar quando ocorre o veto Presidencial. Uma actuação destas é inadmissível, uma desresponsabilização do Parlamento não é aceitável e, naqueles que acreditam que o sistema político pode ser profícuo, não deixa de nos suscitar nojo e fazer estrebuchar de raiva. A incompetência de que falei prende-se no desconhecimento; só assim se entende uma aprovação daquelas. Desconhecimento da Constituição, das Leis...falta de cultura jurídica mínima essencial de um DEPUTADO - não é um estudante, um professor, etc, é um DEPUTADO.

Arquimedes falou-nos que " se tivermos um sítio para nos apoiarmos, podemos levantar o mundo".

No sistema político e ordenamento jurídico é esse o problema. Esse suporte parece cada vez mais em risco e menos visível.NOTA:

O suporte e transcrições pertencem a Jorge Miranda, baseando-me num texto seu publicado no Jornal Público.

Abraço.