sábado, 28 de março de 2009

" Dizia ela: - Nunca mais tirarei os olhos de ti. Vou olhar para ti ininterruptamente.
E, depois de uma pausa: - Tenho medo quando o meu olho pisca. Mede de que, durante esse segundo em que o meu olhar se apaga, se introduza no teu lugar uma serpente, uma ratazana, outro homem.
Ele tentava erguer-se um pouco para lhe tocar com os lábios.
Ela abanava a cabeça: -Não, só quero olhar para ti.
E depois:- Vou deixar o candeeiro aceso toda a noite. Todas as noites."

A Identidade, Milan Kundera.

domingo, 22 de março de 2009

Não devia sonhar isto...

Das aulas de Finanças e Fiscal lembro-me das não raras vezes em que a professora apontava a sua crítica ao conservadorismo? Talvez inoperância? Defeito de coragem? Pouca arrogância? Aquelas seis palavras "os nossos políticos são muito velhos".

O sono é relaxante e sonho transcendente e o meu desta noite remonta à Antiguidade Clássica; sendo directo, à República de Platão. Nele, Platão fala-nos de umas palavras de Sólon: "Estou Velho, mas ainda ensino muitas coisas". Até pode ser que ensine, mas consegue correr? Das palavras de Platão em concreto não me recordava, mas decidi abrir o livro nessa parte para aqui as partilhar; "quando diz que um velho pode ensinar muitas: é menos capaz de ensinar do que de correr; os grandes e múltiplos trabalhos competem aos novos".

Abraço.

sábado, 21 de março de 2009

Quem Não Come Sou Eu

Dias conturbados vive Nascimento Rodrigues. Entre nós, eu também não gostaria de estar mais 8 meses que o previsto e devido no desempenho de uma função. Vocês o desejariam?

Órgão independente, é nomeado pelo Assembleia da República. O que se passa é que o titular que "desempenha uma função privilegiada com o parlamento", que a executa por meios mais informais (ou menos formais?), quem assume um papel de supra importância na defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, quem muito pode contribuir para a aproximação da administração á população, quem muito suscita questões de inconstitucionalidade, tem sido objecto de desrespeito profundo e grosseiro pelas próprias instituições democráticas.
Vejamos o que se passa.

Não é virgem a discórdia no concernente à existência, em primeiro lugar, do Provedor, nem tampouco aquilo que seja o seu papel. Se tal influi neste impasse que a actualidade nos apresenta, nenhuma certeza se afigura com total % de verosimilhança, mas que contribuiu para sub valorização que os partidos têm, não me restam dúvidas. Foi esta uma das questões tratadas recentemente, nas aulas de fundamentais, lembram-se?

A apropriação das palavras "eles comem tudo" também tem que se lhe diga. A edição do Púbico de hoje traz um quadro dos membros "eleitos para cargos externos". Nascimento Rodrigues aparece a laranjinha, talvez a mesma cor do seu "o ps come tudo".

O que é mister discutir é o entendimento existente e que permanecerá, como é claro, que a sociedade da meritocracia exige de cada um de nós sacrifícios, lutas, conquistas, quando, das mesmas bocas que a apregoam saem as suas distorções mais bárbaras. Não aceito ouvir um Sócrates ou uma M. F. Leite dizerem que tenho de estudar e batalhar para ser alguém um dia e no outro se arrogarem no direito de poder escolher amiguinhos para altos cargos públicos. O entendimento que o Provedor de Justiça alternará entre PS e PSD (o mesmo para situações similares) é prova de um sistema corrupto de fraca qualidade, corrupto, atrofiado é à deriva, no qual o amigalhaço triunfa. O mérito é qualidade do fraco, esquecido e, quando crítico, oprimido ou, não rara qualificação, do sonhador.
Com vorazes apetites como estes, foge foge bandido.

A última palavra merece-a o prof Jorge Miranda que, sem culpa, se viu envolvido em querelas partidárias de gentalha sem valor ( a carneirada de que o Pedro tanto gosta).

A fraca atenção no tratamento das matérias são reveladoras de uma autor estafado após 5 horas de estudo de história do direito e desgostoso por a sua equipa sofrer neste preciso momento um golo. O mesmo reconhece que a matéria exige sanidade mental, pelo que a voltará a abordar adequadamente.

Abraço.

Mais ou Menos Assim

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro,
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!

Mário de Sá Carneiro

Abraço.