sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O que eu não gosto de ler nos jornais


A Caixa Geral de Depósitos, o banco do Estado, o banco de todos nós, não se importou nada de sustentar e salvar duas instituições submersas numa catadupa de falcatruas; ladroage, como diz a malta do meu bairro.


Vimos declarações e uma corrida às justificações: "Senão abrimos um precedente drástico; se os deixamos cair as pessoas vão todas tirar os seus depósitos; é o fim; a banca quebra" e para salvarmos as instituições financeiras lá foi o Estado acudir. Avaliou mal, o prejuízo é enorme, a decisão discutível, os críticos e os apoiantes dividem-se. Até agora o escrito é meramente fáctico.


Não discuto isto porque já o suficiente se falou (mal). Mas indigno-me e enervo-me quando leio que podem haver despedimentos na banca, quando leio que se salvou o Sr Fino, quando leio que o Sr Berardo negociou muito bem com as instituições, quando leio que as taxas de juro cobradas têm sido impeditivas para as empresas (muitas têm fechado portas por isso) e famílias. O meu dinheiro para estes Srs? "Enroladinho e vaselinado no sítio que eles sabem, obrigadíssimos, e tenho dito ámen".


O mínimo que exigimos de um governo dá a mão e limpa o rabo é que adopte atitudes idóneas (não inúteis e erradas) para as empresas -taxas de 10% são impossíveis!, para as famílias, para os desempregados. Não admito que um Berardo (um dos culpados disto -enriqueceu especulando, entre negócios paralelos) possa negociar a sua dívida e as empresas e famílias encontrem os golias de obstáculos.


A mais, garante-se um aval (bem sei que o Estado ganha dinheiro e nada é dado, mas garante-se!) e permite-se isto aos bancos?


Uma ultima palavra para a Caixa Geral de Depósitos, que podia e devia acudir nestas situações: praticando taxas melhores, mais baixas, salvaguardando e protegendo as famílias em melhores condições que as outras instituições bancárias, obrigando os outros bancos a fazer o mesmo. É este o momento ideal.


Que o Banco do Estado se comporte como tal, não se deixe ficar prostrado!


Abraço.
E se não estamos a ler o qu'Ele disse e realizou?

Os Monges que traíram Jesus, de Bart D. Ehrman.

Em poucas palavras uma perspectiva interessante sobre os monges copistas e da forma como alteraram a história que lemos hoje.

Abraço.

A Vermelho Marxista

Eu, antes de escrever a vermelho socialista (pois se achar-se o "democraticamente eleito" é isso), exponho aquilo que a minha bebâda consciência ainda é capaz de digerir.

Do referendo ao plebiscito vai a distância que aqui, estudantes de direito, me recuso a falar.
A primeira ideia que me perturba o sono é esta.

A segunda é o filho da puta ditador que caralho, até é eleito democraticamente, mas como ganhou o referendo vamos lá pedir à sininho argumentos verdes cor de nota.Tão belo falar do Obama e do prodigioso e fecundo fenómeno da melhor democracia do mundo. É só a mesma que permitiu ao melhor presidente da sua história governar mais tempo do que o idóneo aconselha. Mas então o chavez já não é ditador. Momon não te rias que já te apanho. Já por isso os americanos espertos impuseram limites. Tumba, safa te agora. O problema é que tens razão, mas do que pode ser não se retira o é ou o será.

Vejam bem, num exercício meramente abstracto poder ser eleito irrestritivamente não implica a viciação do sistema político ou eleitoral. Nós podemos presumi-lo? Podemos supo-lo, mesmo teme-lo? Pois é claro que sim. Mas dele não retiramos a certeza.Aliás, por alguma razão eu gramo o mesmo tipo na minha terra há-de fazer 16 anos, o mesmo jardim tem não sei quanto tempo e tantas mais casos. É óbvio que nao se compara a influência do autarca ao do chefe de estado, mas se de democracia perfeita falamos e queremos então suportemos o argumento.

Se foi o chavez eleito democraticamente nem há discussão que se faça, se tem (fale-se que o homem nem nas aulas se calava) legitimidade nem se discuta, se tem ambos sem suspeição o mesmo se aplica. Não discuto a legitimidade de exercício neste caso, como já o justifiquei há longos meses, porque a democracia funciona e é pelo sufrágio que é apurada. É óbvio que podemos contrapor as duas legitimidades, a de exercício e a de título, mas quando os mecanismos permitem a fiscalização, avaliação e a posterior decisão da primeira é infértil abordá-la, para além de obsoleta.

Noutro domínio podemos fazê-lo; com Hitler, por exemplo. Mas o desgraçado impôs um clima de terror e medo, morte e genocídio com perpetuação fascista, totalitária, autoritária e ditatorial no poder, que nem a análise pode ser feita. Já com os outros dois, o caso é diferente: o início, o meio e o fim são diferentes. Basta que se saiba como chegaram ao poder, como o mantêm e o dominam para se entender que o caso muda de figura e, por conseguinte, de análise.

A verdade é esta, que o chavez faz merda faz, que não fazem sentido as profecias e ideias que tem não fazem, que é arrogante é; mas não é ditador ou algo que se pareça enquanto o sufrágio, insuspeito e isento, andar com ele. Caramba, digam-me onde leram sobre suspeitas de fraudes com a acuidade e clarividência necessárias que possamos falar disso? Uma diferença para o Eduardo dos santos, por acaso. Nem o eurodeputado, no justificado rol de críticas auspiciosas inclui esta ideia (Lembrei-me que um jornalista foi também expulso do Brasil por dizer que o Lula era um bebum). De nada serve apelar e justificar quando nos convém e profetizar os males quando discordamos se do mesmo vem a base.

Em três notas concluo a minha opinião:

- não é o chavez nenhum presidente dos pobres ou do povo. No mesmo momento em que ia escrevendo ocorreram-me umas palavras de Nietzsche: "O Estado é o nome do mais frio de todos os monstros gelados. Aliás, ele mente duma maneira fria e a mentira que sai da sua boca é esta: Eu, o Estado, sou o Povo."

-é eleito de forma democrática, pelo que nem se questione a sua legitimidade, nem se o compare a outros homens, nem se fale num ditador.

-a questão das divisas, dos jornais, da tv, rádio nao permitem falar num ditador. Num projecto muito auspicioso disso, pois claro, mas não em ditador.

Não restem, portanto, dúvidas quanto à legalidade e legitimidade do homem e do processo referendário, sem deixar de se ter a mesma garantia de que a decisão é errada e não se identifica com a ideia de democracia que pretendemos e se pretende.Concentrem-se agora esforços no controlo da sua política, impedindo o caminho para a tirania, empenhando-nos num exemplar controlo internacional nas eleições próximas.

Abraço.